domingo, 29 de novembro de 2009

Por que não escrevo?

Ultimamente me deu muita vontade de escrever,ando me sentindo meio burra; com tanto ensaio, televisão, fazer escova na franja, twitter, orkut.. Mal leio e mal escrevo.
Quando começo tudo flui, menos agora.. não sei se é o tédio que mata com a criatividade ou meu namorado tentando aprender "O melhor de Aldo Sena" no violão agora, muita coisa impede.
Poderia falar de mil coisas, mas não vem nada à minha cabeça. Poderia falar do filme que acabei de assistir, mas o telefone nem deixou eu assistir o final. Quem sabe teatro.. Ando tão enjoada de teatro, sempre as mesmas coisas, as mesmas pessoas com as suas sandalinhas de couro. Nada contra!! Acho até bonitinho.. mas é que eu tô enjoada!
Tô chata.. eu sei.
Mas vai passar, eu sou legal, eu sei.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O olhar.

Ele podia sentir a sua respiração.Ficou olhando-a longamente,queria muito lhe falar.

-Você está me olhando como personagem ou como você mesmo?
-E como é que eu te olho?
-Apaixonado...
-Então sou eu mesmo.

Ela baixou a cabeça e sorriu timidamente.
Do outro lado ouve-se o grito do diretor.
-Corta!Eu já te disse que não é para baixar a cabeça pro lado direito e sim para o esquerdo!E você?quero ver mais a ambiguidade do seu personagem!
-Mas é que eu pensei...
-Ator não pensa,ele faz!Eu quero ver em você o personagem e o ator!E isso você não está mostrando pra mim!
E a cena se repetiu durante a tarde toda de ensaio.
-Eu não gostei de mim hoje,me achei sem ritmo.
-Eu te achei ótima.

Enquanto ela prendia os cabelos ele ficou a olha-la.
-Agora você está me olhando como personagem ou como você mesmo?
Ele não sabia se sentia como personagem,como ator-personagem ou como ele mesmo.
Simplesmente não lhe respondeu.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A Bela Adormecida

E quando ela nasceu todos ficaram contentes.
Era a flor mais bonita do jardim.
Uma fada lhe deu o dom da beleza e outra lhe deu o dom do canto,apenas uma fada má e invejosa lhe jogou uma maldição, a princesa, ao completar quinze anos iria se ferir com um fuso de tear e morrer.
Todos ficaram assustados,como poderia alguém que nasceu predestinada á felicidade morrer assim?
Eis que uma fada não podendo reverter o feitiço,apenas o amenizou;a linda princesa ao se ferir com o fuso iria adormecer profundamente até receber um beijo de amor de um príncipe.
Passaram-se anos,anos e anos e anos e a princesa continuava dormindo,até que seu celular encantado programado para tocar depois de cem anos a despertou de seu sono.
O principe demorou demais,sempre atrasado.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A mensagem.

Achei esse conto sem querer.
tem momentos que você se identifica com algo.
Hoje me identifiquei com este,amanhã,talvez não.

A MENSAGEM.

A princípio, quando a moça disse que sentia angústia, o rapaz se surpreendeu tanto que corou e mudou rapidamente de assunto para disfarçar o aceleramento do coração. Mas há muito tempo desde que era jovem ele passara afoitamente do simplismo infantil de falar dos acontecimentos em termo de coincidência . Ou melhor evoluindo muito e não acreditando nunca mais ele considerava a expressão coincidência um novo truque de palavras e um renovado ludíbrio. Assim, engolida emocionadamente a alegria involuntária que a verdadeiramente espantosa coincidência dela também sentir angústia lhe provocara ele se viu falando com ela na sua própria angústia, e logo com uma moça! Ele que de coração de mulher só recebera o beijo de mãe. Viu-se conversando com ela, escondendo com secura o maravilhamento de enfim falar sobre coisas que realmente importavam; e logo com uma moça! Conversavam também sobre livros, mal podiam esconder a urgência que tinham de pôr em dia tudo em que nunca antes haviam falado. Mesmo assim, jamais certas palavras eram pronunciadas entre ambos. Dessa vez não porque a expressão fosse mais uma armadilha de que os outros dispõem para enganar os moços. Mas por vergonha. Porque nem tudo ele teria coragem de dizer, mesmo que ela, por sentir angústia, fosse pessoa de confiança. Nem em missão ele falaria jamais, embora essa expressão tão perfeita, que ele por assim dizer criara, lhe ardesse na boca, ansiosa por ser dita. Naturalmente, o fato dela também sofrer simplificara o modo de se tratar uma moça, conferindo-lhe um caráter masculino. Ele passou a tratá-la como camarada. Ela mesma também passou a ostentar com modéstia aureolada a própria angústia, como um novo sexo. Híbridos - ainda sem terem escolhido um modo pessoal de andar, e sem terem ainda uma caligrafia definitiva, cada dia a copiarem os pontos de aula com letra diferente - híbridos eles se procuravam, mal disfarçava a gravidade. Uma vez ou outra, ele ainda sentia aquela incrédula aceitação da coincidência: ele, tão original, ter encontrado alguém que falava a sua língua! Aos poucos compactuaram. Bastava ela dizer, como numa senha, passei ontem uma tarde ruim, e ele sabia com austeridade que ela sofria como ele sofria. Havia tristeza, orgulho e audácia entre ambos. Até que também a palavra angústia foi secando, mostrando como a linguagem falada mentia. (Eles queriam um dia escrever. )A palavra angústia passou a tomar aquele tom que os outros usavam, e passou a ser um motivo de leve hostilidade entre ambos. Quando ele sofria, achava uma gafe ela falar de angústia. Eu já superei esta palavra, ele sempre superava tudo antes dela, só depois que a moça o alcançava.

Clarice Lispector

domingo, 14 de dezembro de 2008

Pra sempre.

-E aquilo que parecia duradouro por toda uma eternidade se rompeu, de todas as minhas certezas, nada mais resta..Se eu for até o final do arco-íris,não irei achar o pote de ouro para minha felicidade..De repente do riso fêz-se o pranto.
-Sim,então vocês acabaram?
-Sim..
-Pra sempre?!
-nada é pra sempre..
-Estrias são pra sempre.
-É..isso é.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Uma noite de natal e a filha da empregada.

Era a hora dos presentes, a menina ganhara uma maquiagem de bonecas,estava muito feliz porque iria maquiar todos os dias a Isabel,sua boneca preferida.
Eis que em um determinado momento,chega a patroa de sua mãe.

-Querida,queria te dizer uma coisa...o que você ganhou foi mais uma lembrancinha,é mais simples porque você não é minha neta,se você fosse,teria ganho uma bicicleta ou uma boneca,assim como os meus netos,você entende não é?
-Ta certo!

Para a menina isso não fazia a menor diferença,ela só queria saber de maquiar a Isabel.
As crianças sabem ser felizes.
Por enquanto..

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Reticências.

Nos baseamos nas reticências.
Você fala, eu escuto.
Eu falo,você escuta.
E ninguém acaba dizendo nada...